Palmeiras na ponte – 1

Por: gasometro

ago 17 2011

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Categoria: Bairros

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Por engano, plantaram palmeiras na ponte da Av. João Pessoa - Foto: Cesar Cardia

Ao que se sabe, isso é inédito: a única ponte que tem palmeiras-da-califórnia plantadas. fica na ponte da Avenida João Pessoa que cruza o Arroio Dilúvio (Av. Ipiranga).

Sobre isso:

Trabalho de conclusão aponta que Ponte da João Pessoa revela segredos de Porto Alegre

Por Ana Paula Acauan (2006)

A ponte da Avenida João Pessoa com a Ipiranga – talvez a primeira do mundo com árvores plantadas em sua estrutura – revela segredos acerca do passado de Porto Alegre e traz reflexão sobre o que a Capital tem feito de suas belezas naturais. O assunto foi investigado por Angela Maria Tavares, formada em Turismo pela PUCRS neste ano, para a realização de monografia de conclusão do curso, orientada pelo professor Antônio Carlos Castrogiovanni.

Angela identificou as razões para que o local no entorno do Arroio Dilúvio seja melhor explorado turisticamente. “A Ponte da João Pessoa com suas palmeiras sexagenárias constitui uma obra de arte enriquecida de contextos históricos e sociais.” As palmeiras-da-Califórnia foram parar na ponte por descuido de funcionários da Prefeitura. Por ocasião do bicentenário da cidade, estavam plantando várias árvores e não se deram conta do inusitado. Era 1940, quando se considerava a fundação da Capital em 1740. Até que foi aceito o argumento do historiador Francisco Riopardense de Macedo de comemoração da data em 26 de março de 1772, remontando à criação da Freguesia de São Francisco do Porto dos Casais, desvinculada de Viamão.

A ponte é obra do arquiteto catarinense Christiano de La Paix Gelbert. Originárias do Sul da Califórnia (EUA), as palmeiras não têm a raiz principal, por isso não causam danos a calçamentos. As escadarias projetadas ao lado da ponte descem até a margem do canal e serviriam de embarcadouro e local de venda de frutas e verduras, quando o riacho era navegável. Simbolizam uma outra época, em que o local era considerado de lazer. Até o final da década de 50 as águas límpidas do Dilúvio corriam entre chácaras de leite, plantações ou nos fundos das casas, rodeadas de farta vegetação.

As nascentes do Dilúvio se situam no limite de Porto Alegre com Viamão e o riacho desemboca no Guaíba. Seu curso tem uma extensão de 17 quilômetros. Originalmente corria do atual Bairro Menino Deus até o Parque Farroupilha, passando inclusive pela ponte de pedra, hoje junto ao Largo dos Açorianos. Para escoar melhor as águas, o intendente José Montaury, em 1905, abriu um canal em linha reta eliminando a grande volta do arroio, na Zona Ilhota, então parte pobre da Cidade Baixa. O prefeito Loureiro da Silva começou a execução do projeto de canalização em 1941, ano da grande enchente. Houve a retificação direta da Ponte da João Pessoa ao Guaíba, criando a Avenida Ipiranga. Em 1962 começou o processo de desapropriação das casas das famílias da Ilhota para o atual Bairro Restinga. Angela destaca que a Ilhota foi o berço do samba na Capital e onde nasceu o compositor Lupicínio Rodrigues.

A monografia também aponta a origem do Bairro Azenha. O açoriano Francisco Antonio da Silveira, que se instalou nas proximidades do atual hospital Ernesto Dornelles, construiu em 1760 uma máquina de moer trigo (azenha). Passou a ser conhecido como Chico da Azenha e batizou a área. Um parente de Chico, Laurentino Antonio da Silva, hospedou, em 1835, os rebeldes farroupilhas. Em 19 de setembro, eles cruzaram o Dilúvio para atacar Porto Alegre. Na Ponte da Azenha e em seus arredores foi travado o primeiro combate da revolução. Os farrapos, liderados por Gomes Jardim e Onofre Pires, derrotaram os imperiais.

A autora enfoca ainda a vocação da Capital na área ambiental. Foi a primeira cidade brasileira a criar a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, em 1976. Em 1996 havia 13,35 metros quadrados de área verde por habitante. Em 1954 uma lei exigia que os loteamentos reservassem 10% do terreno para arborização. Em 1966, o percentual subiu para 15%.

Para a monografia, Angela ouviu o professor Cláudio Frankenberg, da Faculdade de Engenharia e do Instituto do Meio Ambiente da PUCRS, que questiona se a margem do Dilúvio não poderia ser utilizada como área de lazer, com ciclovia, pista para caminhada e corridas. “Teria um custo acessível e poderia constranger aqueles que jogam lixo no local”, destaca o professor. O projeto de despoluição do Dilúvio envolve vários órgãos da prefeitura e busca a recuperação das nascentes, remoção de resíduos e ações de educação ambiental.

Formada também em História pela PUCRS, Angela é programadora de computador aposentada. Apresentará a monografia à Prefeitura de Porto Alegre com a intenção de servir como base para ações. Tem como metas trabalhar nas áreas de planejamento turístico, elaboração de roteiros e projetos.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social/PUCRS – ASCOM

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2 comentários em “Palmeiras na ponte – 1”

  1. […] casos da Getúlio Vargas e da Osvaldo Aranha. Sem contar aquelas que foram plantadas por engano na ponte da João Pessoa sobre o Arroio Dilúvio e, por incrível que pareça, cresceram – não se sabe de outro caso semelhante (na ponte da […]

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